Eterno Retorno
Ano: 2023
“Acredito que meu trabalho seja um ciclo contínuo, onde tudo retorna e se renova sob novas perspectivas. Anos atrás, ao sonhar com cobras que mordiam o próprio rabo, criei minha versão ‘Ouroboros’. ‘Eterno Retorno’ é um desdobramento de ‘Ouroboros’, uma extensão do meu eu do passado que pavimentou o caminho até aqui, moldou meu presente e que se projeta no porvir. A noção do contínuo permeia todo o meu trabalho.”
— Lo.

Fungos Invisíveis
Ano: 2023
“Fungos Invisíveis surgiu como resposta a um projeto da Algures, Escola de Joalheria Contemporânea Brasileira, que propunha uma investigação sobre o tempo. Escolhi os fungos como corpo desse tema e me dediquei a explorar sua natureza corrosiva em um parque público próximo ao meu ateliê. No entanto, meu material de pesquisa acabou se perdendo por circunstâncias desconhecidas, provavelmente devido a um descarte acidental. Durante este processo, percebi que esse encontro ultrapassava meu entendimento, pois permeava todo o meu mundo e, ainda assim, só me era possível imaginá-lo. Provocada por esses seres, fui levada a criar os meus próprios fungos – matéria reinventada, vestígios de uma presença que nunca desaparece. Revelando que, mesmo nos recessos mais improváveis, sua presença persiste.”
— Lo.
A série Fungos Invisíveis esteve em exibição na Galeria Alice Floriano durante a exposição Processos, em 2023.

O Sonhador
Ano: 2023
“O Sonhador tem sua origem em meio a uma pesquisa de campo realizada para outro projeto em andamento na época (Fungos Invisíveis). Ao percorrer a mata, deparo-me com uma lagartixa morta, um encontro inesperado que desencadeia pensamentos sobre vida, morte e, especialmente, sobre o tempo – o cerne da minha pesquisa. Decido levá-la comigo e, ao transformá-la, mantenho vivo aquele momento. O Sonhador captura as complexidades do tempo e revela a beleza inesperada que emerge de encontros fortuitos.”
— Lo.
O broche O Sonhador foi exibido durante a Milano Jewelry Week, na Itália, em 2023.

O Fazedor
Ano: 2023
“O anel O Fazedor é uma síntese do primeiro anel que fiz para mim mesma, chamado ‘Esme’. Esme tornou-se uma peça solicitada, e ao longo dos anos, por meio do fazer, de repetições e esmero, em O Fazedor, aproximei-me um pouco mais do que originalmente buscava: meu próprio desejo. Reconheço que, como humana, talvez nunca o alcance por completo, mas à medida que avanço, no ato de ‘fazer-se-fazendo’, encontro-me com outros sujeitos, igualmente desejantes, e, nesse processo, me desenvolvo.”
— Lo.

Caos no Jardim
Ano: 2023
“Há imagens que se impõem antes mesmo de serem compreendidas. Formas que perturbam. Sons que ressoam. Ideias que se infiltram sem pedir permissão. O mundo se ergue — estranho e familiar. A lógica cede, a ficção se dilui na realidade. E, no entanto, algo pulsa. Não recuamos: narramos, desenhamos, forjamos. Nomeamos o indizível, moldamos o vazio. Criar é habitar a desordem. Se o caos é a origem, a criação é nossa resposta. Não porque tenhamos respostas, mas porque, ao criar, pertencemos.”
— Lo.

Cambalhotas
Ano: 2023
“Neste projeto, dou a volta ao mundo, como se desse cambalhotas. Meu corpo permanece sobre a banca de ourivesaria, enquanto minha alma alça voo livre. Manipulo os materiais que tanto adoro, sem amarras, estendendo-me nas possibilidades. Concedo-me a liberdade de ser o que sou, imersa em meu mundo microscópico.”
— Lo.

Alice
Ano: 2024
“Todos se colocam freqüentemente em contradição consigo mesmos (…) e tudo é absurdo, mas nada é chocante, porque todos se acostumaram a tudo (…) um mundo em que o bom, o mau, o belo, o feio, a verdade, a virtude, têm uma existência apenas local e limitada (…) eu começo a sentir a embriaguez a que essa vida agitada e tumultuosa me condena. Com tal quantidade de objetos desfilando diante de meus olhos, eu vou ficando aturdido. De todas as coisas que me atraem, nenhuma toca o meu coração, embora todas juntas perturbem meus sentimentos, de modo a fazer que eu esqueça o que sou e qual é meu lugar. (…) Eu não sei, a cada dia, o que vou amar no dia seguinte. Eu vejo apenas fantasmas que rondam meus olhos e desaparecem assim que os tento agarrar.”
(ROUSSEAU, JJ. A Nova Heloísa, 1760)
A série ‘Alice’ esteve exposta na II Bienal de Joalheria Contemporânea de Lisboa, com o tema “Jóias Políticas, Joias de Poder”, em 2024.

Avante
Ano: 2024
“Avante, a fim de reajustar meu espírito a cada passo.”
— Lo.

Lonjuras
Ano: 2024
“Sinto-me a deslizar pelo tempo,
Estendendo-me em direção ao desconhecido.
Busco aquela que se esconde
Nos recantos mais secretos do meu ser.
Sou, para mim mesma,
A tensão do momento presente,
Em direção aos caminhos incertos
Que se desdobram diante de mim.”
— Lo.

Fissura
Ano: 2024
“Fissura,
Uma abertura pela qual a vida se derrama.”
— Lo.

Bengala
Ano: 2024
“São objetos que sustentam.
Guiam, nutrem,
símbolos do início e do fim.
Espelham-se um no outro,
como se o tempo dobrasse sobre si mesmo.
Seguram a matéria do mundo,
tocam a boca e o chão,
cúmplices de gestos cotidianos,
fiéis às mãos.
E assim, entre a colher e a bengala,
a vida se desenha.”
— Lo.
