“O resultado final é apenas uma parte de algo maior. O trabalho não está no objeto acabado, mas no caminho que o constrói: as escolhas que traçam o percurso, o diálogo com o material — que possui sua própria voz — e o ato de criar, que é também um ato de descobrir. Não se trata apenas de fazer por fazer; cada peça precisa ter um porquê. Sem isso, seria apenas mais uma entre tantas no mundo.
Meu processo começa antes de chegar à bancada. Ele nasce de projetos que surgem do meu repertório de vida, feitos de perguntas, pesquisas e reflexões. Pensamentos viram palavras, que apontam caminhos para as ideias fluírem, como um diálogo entre intenção e descoberta.
Essas palavras não delimitam, mas apontam direções. Meu trabalho toma forma como uma escultura que emerge entre o controle e o acaso. Não sigo um plano rígido; cada escolha que faço carrega vestígios de tudo o que já experimentei e a promessa do que ainda posso criar. É nesse encontro entre material e gesto que algo se revela, pensado, mas sempre aberto ao inesperado.
O tempo guia meu trabalho. Não o tempo que os relógios contam, mas um tempo que avança e retorna, que se dobra e se perde, como um sonho que não consigo lembrar. Esse tempo não é linear; é um labirinto, que vive no presente, guarda ecos do passado e abre portas para o futuro.
Na joalheria, o valor dos materiais é, muitas vezes, definido por seu preço: ouro é joia; bronze, não. Mas, para mim, joia é o que o joalheiro cria. Independe de sua raridade ou brilho. A joalheria em que acredito não se prende a hierarquias, mas explora possibilidades. Cada material traz algo único e amplia o sentido do trabalho.
Minhas peças nascem desse intervalo entre o que procuro e o que encontro, essa busca incessante por respostas que talvez nunca se revelem por completo. É nesse espaço que encontro o belo — não o que se vê, mas o que se sente, nas camadas de cada peça.
Entre o que desaparece e o que persiste está o sentido do que faço — como humana, como criadora, como alguém que busca algo, de um tempo que só existe no instante em que é criado.”
— Lo.
